Bem-vindos ao Cinema & Consciência, um novo espaço para a difusão e a discussão do cinema brasileiro e internacional. Vamos falar de filmes ou documentários, discutir ética e estética do cinema, com enfoque nas pessoas, nos temas e nos fatos. Os comentários dos visitantes serão sempre bem-vindos. Todos os textos neste blog são de autoria de Mário Luna, salvo aqueles em que a fonte for mencionada.Críticas construtivas e sugestões em geral, envie e-mail para este blogger: cinemaconsciencia@gmail.com "Não acredite em nada que ler ou ouvir neste blog. Reflita. Tenha as suas próprias opiniões e conclusões"
Em 15 de janeiro de 2011, Zeitgeist: Moving Foward” dirigido por Peter Joseph foi lançado em 60 países, 31 idiomas, 295 cidades e 341 locais de exibição. No YouTube, com legendas em 30 línguas diferentes, o documentário pode ser considerado o maior lançamento de um filme independente sem fins lucrativos da historia.
Este é um trabalho não comercial, e está disponível online para visualização e nenhuma restrição para fazer upload, download, postar, e linkar, desde que não ocorra nenhuma troca em dinheiro.
Zeitgeist: Moving Forward, do diretor Peter Joseph, é uma característica de trabalho documentário que vai apresentar um caso de uma saída de transição necessária da política monetária socioeconômico, atual paradigma que rege a sociedade do mundo inteiro (Mr. Zunxo - YouTube).
"Uma economia baseada em recursos é um sistema onde todos os bens e serviços estão disponíveis sem o uso de dinheiro, crédito, escambo ou qualquer outro sistema de débito ou servidão. Todos os recursos tornam-se patrimônio comum de todos os habitantes, não de apenas uns poucos selecionados. A premissa sobre a qual esse sistema é baseado é a de que a Terra seja abundante em recursos; nossa prática de racionamento de recursos através de métodos monetários é irrelevante e contraproducente à nossa sobrevivência.
A sociedade moderna tem acesso à tecnologias de ponta e pode disponibilizar comida, vestimenta, moradia e assistência médica; atualizar nosso sistema educacional; e desenvolver um suprimento ilimitado de energia renovável e não-poluente. Através da provisão de uma economia projetada de forma eficiente, todos podem desfrutar de um elevadíssimo padrão de vida com todas as amenidades de uma sociedade altamente tecnológica. Uma economia baseada em recursos usaria os recursos existentes da terra e do mar, o equipamento físico, indústrias etc. para engrandecer a vida de toda a população. Numa economia baseada em recursos no lugar de dinheiro, poderíamos facilmente produzir todas as necessidades biológicas e fornecer um elevado padrão de vida para todos."
O Blog Cinema & Consciência exibe o documentário na íntegra (duração: 2h41min25seg). Para a escolha da legenda, clique no botão CC (vermelho) na barra inferior do monitor de video.
Kong Qiu, Zhong Ni ou Confucius, seu nome latino, nasceu no ano 551 AC, em Tsou, uma pequena cidade no estado de Lu, hoje sul da província de Shantung. Confúcio viveu durante a dinastia Chou, num período de grande ebulição intelectual na China. Mas foi com o advento da dinastia Ch'in, entretanto, que o confucionismo esperimentou seu período de oposições. O imperador Shih Huang Ti estava determinado a erradicar a influência de Confúcio e ignorar o passado. Mas, antes de tomarmos partido neste episódio contrário à filosofia de Confúcio, liderado por Shih Huang Ti, convém lembrar que o imperador chinês está entre as 50 mais ilustres consciências da história mundial por promover a união da China e instituir uma série de reformas radicais, que se constituíram num importante fator de unidade cultural, o qual se mantém vivo e válido desde então.
O confucionismo resistiu e sobreviveu à tentativa de erradicação de sua filosofia, com o apoio dos sábios confucionistas, quando a dinastia Ch'in se extinguiu. Na dinastia seguinte, com o imperador Han, o confucionismo foi adotado como filosfia oficial do governo chinês. E não ficou apenas nesse status. Consequentemente, os ideais de Confúcio foram aceitos pela maioria dos chineses, influenciando de forma definitiva a vida na China e o modo de pensar do seu povo. A forma usada por Confúcio para passar seus ensinamentos a seus alunos tinha na sua integridade e sinceridade a base sólida para credenciar suas ideias.
Além disso, Confúcio era um homem moderado e prático e não exigia de ninguém aquilo que ele não pudesse dar. O respeito ao momento evolutivo do próximo e aos limtes de cada um foi talvez a chave para o imenso sucesso dos seus ensinamentos. Ele não anunciava-se como salvador e nem pretendia mudar a crença do povo. Não pedia mudanças de paradigmas nem que abandonassem seus cultos. Confúcio apenas ofereceu uma forma de reorganizar tais ideias de uma maneira clara e admirável, fortalecendo as tradições e criando uma sintonia com os pontos de vista fundamentais da época.
Confucius - A Batalha pelo Império apresenta o período dos 51 aos 73 anos do influente filósofo chinês. De prefeito da cidade de Zhongdu a ministro do reino e mestre difusor de ideais éticos de humanidade e harmonia. Durante o reinado de Ding, três clãs disputavam o poder em Lu: os Jishi, os Shushi e Mengshi. O governante Lu Dinggong escolheu Confúcio como Ministro da Justiça para instaurar civilidade e progresso no reino. Em 497 AC, depois de algumas vitórias memoráveis pela engenhosidade e inteligência, o filósofo enfrentou oposição das famílias nobres e partiu para o exílio, viajando pela China. Em 484 AC retornou à terra de seus pais.
No filme da diretora Hu Mei, Confúcio atravessa um período de grandes rivalidades e guerras entre Estados na China. Ele é um poderoso e influente ministro que se destaca por seu prestígio e autoridade. Seu poder, entretanto, implica em contrair inimigos invejosos e uma traição politica coloca o Imperador contra Confucius. Injustamente deposto de seu cargo e mandado, enfrenta o exílio e luta contra os imperadores com seu exército de grandes idéias. Mesmo em tempos de crise, Confucius nos mostra que devemos prosseguir vivendo com arte, ética e benevolência. Sendo paciente e suave, é possível vencer a agressão e arbitrariedade. Uma bela fotografia e uma produção primorosa completam essa obra para o cinema para se ver e ter em casa, pois constitui um documento importante sobre um homem que não irá somente unificar uma nação, mas mudar a história da humanidade.
Segundo Jung, a sombra é a parte obscura de nossa personalidade, que reside no universo inconsciente e é basicamente formada por nossos defeitos ou traços fardos, constituindo-se, assim, uma parte importante parte da nossa psique. A sombra, no entanto, não representa apenas os nossos traços fardos; é também o ponto inicial para as nossas reciclagens pessoais, intraconscienciais, o repositório do que precisa ser modificado, descartado, a fim de que algum nível de crescimento pessoal seja alcançado. Descartar as sombras significa, para Jung, tornar-se um pouco mais inteiro. Ignorá-la, por outro lado, potencializa nossas fraquezas. Para superá-las é preciso auto-enfrentamento e coragem para evoluir.
Nós só podemos evoluir olhando para aquilo que ainda não foi desenvolvido. Lidar apenas com as nossas qualidades pode nos levar ao mimetismo, ou seja, a repetição ad eternum de talentos e aptidões já descartáveis. Para Jung, essa não seria uma "vida inteira." Os potenciais se renovam, as necessidades de desempenharmos novas tarefas também. Isso fica mais claro de entender quando pensamos que ninguém pode evoluir fazendo sempre as mesmas coisas. Depois do sucesso do livro, chega ao Brasil o DVD O Efeito Sombra, lançado por aqui pela Gemini. O filme conta com a participação dos autores do best-seller homônimo, que consta pela 22ª semana seguida na lista dos livros mais vendidos do gênero de auto-ajuda das revistas Época e Veja.
Escrito pelo médico indiano Deepak Chopra, pela professora espiritual Marianne Williamson e por Debbie Ford, consultora espiritual, que escreve semanalmente para o portal Oprah.com, o filme é psicanalítico e conta também com especialistas estudiosos do conceito de Sombra. Além disso, traz depoimentos emocionantes de pessoas que conseguiram superar suas sombras para viver uma vida plena. É um filme que incita a auto-reflexão, revolucionando a forma de encarar seus defeitos e qualidades. Nas palavras do autor best-seller Aldo Novak, porta-voz do livro e do filme O Efeito Sombra no Brasil, "assistir a este filme é encontrar o segredo que faltava em O Segredo."
Chris Gardner (Will Smith) é um pai de família que enfrenta sérios problemas financeiros. Apesar de todas as tentativas em manter a família unida, Linda (Thandie Newton), sua esposa, decide partir. Chris agora é pai solteiro e precisa cuidar de Christopher (Jaden Smith), seu filho de apenas 5 anos. Ele tenta usar sua habilidade como vendedor para conseguir um emprego melhor, que lhe dê um salário mais digno. Chris consegue uma vaga de estagiário numa importante corretora de ações, mas não recebe salário pelos serviços prestados. Sua esperança é que, ao fim do programa de estágio, ele seja contratado e assim tenha um futuro promissor na empresa. Porém seus problemas financeiros não podem esperar que isto aconteça, o que faz com que sejam despejados. Chris e Christopher passam a dormir em abrigos, estações de trem, banheiros e onde quer que consigam um refúgio à noite, mantendo a esperança de que dias melhores virão.
Confucius é um poderoso e influente ministro que se destaca por seu prestígio e autoridade em um dos impérios da China antiga. Mas tanto poder traz consigo inimigos invejosos. Uma traição política coloca o imperador contra Confucius e ele é injustamente deposto de seu cargo e mandado para o exílio. Lutando contra os imperadores, Confucius não irá somente unificar uma nação mas mudará a história da humanidade.
Em 1994 um conflito político em Ruanda levou à morte de quase um milhão de pessoas em apenas cem dias. Sem apoio dos demais países, os ruandenses tiveram que buscar saídas em seu próprio cotidiano para sobreviver. Uma delas foi oferecida por Paul Rusesabagina (Don Cheadle), que era gerente do hotel Milles Collines, localizado na capital do país. Contando apenas com sua coragem, Paul abrigou no hotel mais de 1200 pessoas durante o conflito.
A Versátil apresenta "Maria Montessori - Uma vida dedicada às crianças", cinebiografia de Maria Montessori (1870-1952), médica, educadora e pedagoga italiana que criou um método educacional revolucionário. Esta minissérie conta com uma excelente atuação de Paola Cortellesi no papel principal. Nos extras, depoimento da Profª. Heloísa Pires, educadora e escritora. Acompanhe os principais momentos da trajetória de Montessori - a graduação em medicina, a militância feminista, o trabalho pioneiro com crianças deficientes, a fundação da "Casa das Crianças", a relação com o filho Mario, entre outros.
A vida de William Wilberforce é a história de como a perseverança e a fé de um homem mudaram o mundo. Líder do movimento abolicionista britânico, o filme mostra a luta épica para criar a uma lei com o objetivo de acabar com o tráfico negreiro. Durante esta jornada, Wilberforce encontra oposição intensa dos que acreditavam que a escravidão estava diretamente ligada à estabilidade do império britânico. Em seus amigos, incluindo John Newton, um ex-capitão de navio negreiro que compôs o famoso hino Amazing Grace, encontrou suporte para continuar lutando pela causa.
Samsara
Tashi é um jovem monge tibetano que, após passar três anos em reclusão meditando, é resgatado por seus companheiros, que o ajudam a retornar ao monastério. No caminho, ele vê escrito em uma pedra "como impedir que uma gota d'água desapareça ao sol?". De volta à vida religiosa, Tashi se encanta com uma dançarina, e os crescentes desejos por uma existência comum o atormentam tanto, que ele decide deixar o templo, e ir viver na cidade, para trabalhar, se casar e constituir família.
É baseado no livro Saved by the Light, de autoria do empresário norte-americano Dannion Brikley, que narra sua vida e a grande transformação pela qual passou após vivenciar, por duas vezes, uma inesquecível experiência no Plano Espiritual, em desdobramento, estando seu corpo físico morto clinicamente. O seu caso foi bem documentado pelo famoso pesquisador e psiquiatra Dr. Raymond Moody (V. AE 1993, p. 223), até mesmo incluindo-o no filme Vida Após a Morte, excelente documentário científico lançado, em 1992, nos EUA. (V. esta Seção do AE 1997).
Jamal Wallace (Robert Brown) é um jovem adolescente que ganha uma bolsa de estudos em uma escola de elite de Manhattan, devido ao seu desempenho nos testes de seu antigo colégio no Bronx e também por jogar muito bem basquete. Após uma aposta com seus amigos, ele conhece ele conhece William Forrester (Sean Connery), um talentoso e recluso escritor com quem desenvolve uma profunda amizade. Percebendo talento para a escrita em Jamal, Forrester procura incentivá-lo para seguir este caminho, mas termina recebendo de Jamal algumas boas lições de vida.
A Versátil e a Vídeo Spirite apresentam Pestalozzi para sempre, inédita cinebiografia do educador suíço Johann Heinrich Pestalozzi (1746 - 1827), um dos pioneiros da pedagogia moderna. Selecionado para o Festival de Cinema de Berlim, este drama tem como destaque a grande atuação do consagrado Gian Maria Volontè (A Classe Operária vai ao Paraíso) no papel-título. Edição Especial com vários vídeos extras sobre o legado de Pestalozzi e sua importância como educador do filósofo francês Allan Kardec (1804-1869), o Codificador da Doutrina Espírita. O filme focaliza um período crítico no desenvolvimento das teorias educacionais de Pestalozzi, quando o educador dirigia um internato para crianças pobres de um vilarejo na parte francesa da Suíça.
Nashville, 1930. Vivien Thomas (Mos Def) é um hábil marceneiro, que tinha um nome feminino pois sua mãe achava que teria uma menina e, quando veio um garoto, não quis mudar o nome escolhido. Eleé demitido quando chega a Grande Depressão, pois estavam dando preferência para quem tinha uma família para sustentar. A Depressão o atinge duplamente, pois sumiram as economias de 7 anos, que ele guardou com sacrifício para fazer a faculdade de medicina, pois o banco faliu. Thomas consegue emprego de faxineiro, trabalhando para Alfred Blalock (Alan Rickman), um médico pesquisador que logo descobre que ele tem uma inteligência privilegiada e que poderia ser melhor aproveitado. Blalock acaba se tornando o cirurgião-chefe na Universidade Johns Hopkins, onde está pesquisando novas técnicas para a cirurgia do coração. Os dois acabam fazendo um parceria incomum e às vezes conflitante, pois Thomas nem sempre era lembrado quando conseguiam criar uma técnica, já que não era médico.
A situação do Nordeste brasileiro, no final do século XIX, era muito precária. Fome, seca, miséria, violência e abandono político afetavam os nordestinos, principalmente a população mais carente. Toda essa situação, em conjunto com o fanatismo religioso, desencadeou um grave problema social. Nessa época, o beato Antônio Conselheiro, homem que passou a ser conhecido logo depois da Proclamação da República, liderou um movimento de apoio à monarquia e renúncia à república. Ele acreditava que havia sido enviado por Deus para acabar com as diferenças sociais e também com os pecados republicanos, entre estes, estavam o casamento civil e a cobrança de impostos. Com estas idéias em mente, ele conseguiu reunir um grande número de adeptos que acreditavam que seu líder realmente poderia libertá-los da situação de extrema pobreza na qual se encontravam.
Nascido na vila de Quixeramobim, no interior do Ceará, Antônio Vicente Mendes Maciel cresceu em uma família de padrão de vida mediano. Durante sua infância teve uma educação diversa que lhe ofereceu contato com a geografia, a matemática e as línguas estrangeiras. Aos 27 anos, depois da morte de seu pai, assumiu os negócios da família. Não obtendo sucesso, abandonou a atividade. Na mesma época, casou-se com uma prima e exerceu funções jurídicas nas cidades de Campo Grande e Ipu. Com o abandono da mulher, Antônio começou a vaguear pelo sertão nordestino. Em seguida, envolveu-se com uma escultora chamada Joana Imaginária, com quem teve um filho. Em 1865, Conselheiro abandonou a mulher e o filho e retornou à sua peregrinação sertaneja. Nessas andanças, começou a construir igrejas, cemitérios e teve sua figura marcada pela barba grisalha, a bata azul, sandálias de couro e a mão apoiada em um cajado.
Sob a perspectiva de alguém influenciado pelas contrariedades pessoais e os problemas sócio-econômicos do sertão, Antônio Conselheiro iniciou uma pregação religiosa defensora de um cristianismo primitivo. Defendia que os homens deveriam se livrar das opressões e injustiças que lhes eram impostas, buscando superar os problemas de acordo com os valores religiosos cristãos. Com palavras de fé e justiça, Conselheiro atraiu muitos sertanejos que se identificavam com a mensagem por ele proferida. Em 1876, autoridades lhe prenderam alegando que ele havia matado a mulher e a mãe, e o enviam de volta para o Ceará. Depois de solto, Conselheiro se dirigiu ao interior da Bahia. Com o aumento do seu número de seguidores e a pregação de seus ideais contrários à ordem vigente, Conselheiro fundou – em 1893 – uma comunidade chamada Belo Monte, às margens do Rio Vaza-Barris. Canudos foi o nome dado por seus opositores. Desde o início da comunidade, autoridades eclesiásticas e setores dominantes da população viam na renovação social e religiosa de Antônio Conselheiro uma ameaça à ordem estabelecida.
De um lado, a Igreja atacava a existência de Canudos alegando que os seguidores de Conselheiro eram apegados à heresia e depravação. Por outro, os políticos e senhores de terra, com o uso dos meios de comunicação da época, diziam que Antônio Conselheiro era monarquista e liderava um movimento que almejava derrubar o governo republicano, instalado em 1889. Com o passar do tempo, as idéias iniciais difundiram-se de tal forma que jagunços passaram a utilizar-se das mesmas para justificar seus roubos e suas atitudes que em nada condiziam com nenhum tipo de ensinamento religioso; este fato tirou por completo a tranqüilidade na qual os sertanejos daquela região estavam acostumados a viver.
Em novembro de 1896, no sertão da Bahia, os conflitos civis foram iniciados com várias batalhas travadas entre os jagunços de Conselheiro e o exército do estado da Bahia e duraram por quase um ano, até 05 de outubro de 1897. Devido a enorme proporção que este movimento adquiriu, o governo da Bahia não conseguiu por si só segurar a grande revolta que acontecia em seu Estado. Por essa razão, pediu a interferência da República. Esta, por sua vez, também encontrou muitas dificuldades para conter os fanáticos. Somente no quarto combate, onde as forças da República já estavam mais bem equipadas e organizadas, os incansáveis guerreiros foram vencidos pelo cerco que os impediam de sair do local no qual se encontravam para buscar qualquer tipo de alimento e muitos morreram de fome. O massacre foi tamanho que não escaparam idosos, mulheres e crianças.Incriminada por setores influentes e poderosos da sociedade da época, Canudos foi alvo das tropas republicanas.
Ao contrário das expectativas do governo, a comunidade conseguiu resistir a quatro investidas militares. Somente na última expedição, que contava com metralhadoras e canhões, a população apta para o combate (homens e rapazes) foi massacrada. A comunidade se reduziu a algumas centenas de mulheres, idosos e crianças. Antonio Conselheiro, com a saúde fragilizada, morreu dias antes do último combate. Ao encontrarem seu corpo, deceparam sua cabeça e a enviaram para que estudassem as características do crânio de um “louco fanático”. A Guerra de Canudos é tida como um dos principais conflitos que marcam o período entre a queda da monarquia para a instalação do regime republicano no Brasil.
O documentário Sobreviventes – Filhos da Guerra de Canudos, do diretor Paulo Fontenelle, conta a história dos descendentes das pessoas que conseguiram sobreviver ou escapar de alguma forma ao massacre de Canudos. Destacam-se os depoimentos de idosos como o seu Antonio de Isabel, que hoje está com 110 anos de idade, e é o único homem vivo que conheceu Antonio Conselheiro; seu João de Régis, cujos pais escaparam nos últimos dias da guerra; Dona Zefa de Mamede, sua mãe saiu de dentro de Canudos no final da guerra para procurar comida e quando retornou a cidade já estava destruída; entre outros, o filme pretrende resgatar essa história que permaneceu esquecida por muito tempo.
Muitas crianças têm seus monstros. O meu era pensar que um espírito podia possuir meu corpo durante a noite e matar meu pai. Obviamente ficar sem meu pai me atormentava muito mais do que a idéia de que um espírito pudesse possuir meu corpo. Mas, por volta dos 11 ou 12 anos de idade, eu me viciei nesse tormento, porque criei uma realidade especial para ele. Quando a idéia emergia no consciente não conseguia mais freá-la e o circo do pânico estava montado. A idéia entrava em loop, um problema que eu só resolveria muitos anos depois, quando soube que espíritos não entram em corpos por sua própria vontade e que o amor, enfim, nos resguarda da ação daqueles de piores qualidades. Uma formiga não entra em casa de abelha. Porém, mais do que falar sobre a lógica e as origens de tal psicotismo e as conseqüências do mesmo na adolescência, gostaria de pontuar a facilidade com que as crianças criam universos paralelos, realidades alternativas não menos verdadeiras do que àquelas que vivemos, seja em brincadeiras ou por autoflagelo. Quando acreditamos que algo é verdadeiro, tudo nos leva a manter essa crença e o universo conspira para nos manter longe da realidade comum. Foi justamente numa dessas realidades paralelas que Nicolas (nome original do personagem) entrou para nos brindar com O Pequeno Nicolau, um desses filmes que nos divertem com conteúdo.
O personagem Nicolas (ainda não sei porque a tradução para o português trocou Nicolas por Nicolau, já que se tratam de dois nomes distintos e tanto no Brasil quanto na França ambos são usados – sendo assim, vou manter o nome original quando me referir ao personagem) foi escrito por René Goscinny, um dos autores de Asterix, no final dos anos 50, e os seus livros ilustrados por Jean-Jacques Sempé. Poderíamos dizer que o Pequeno Nicolas é a versão francesa do Menino Maluquinho, isto é, toda criança francesa conhece porque as estórias, assim como as de Asterix, atravessam gerações. Vale ressaltar aqui que, por ser um personagem nacional, deveria ter sido levado para o cinema há mais tempo. Voilá. Contudo, dirigido por Laurent Tirard e também escrito pelo diretor em parceria com o comediante Alain Chabat e Grégoire Vigneron, o filme O Pequeno Nicolau não é uma adaptação de uma das estórias de Goscinny, mas uma obra original.
O monstro criado por Nicolau surgiu com a suspeita de que a sua mãe estava grávida. Quando soube que teria um irmão, um sentimento de rejeição mais forte do que a razão e a lógica juntas se apoderou dos seus pensamentos e ocupou inteiramente suas preocupações. Nada podia remover a convicção de que seus pais estavam tentando se livrar dele com a chegada do mais novo rebento. Ele criou com tanta certeza a idéia de que seria desprezado quando a criança nascesse que passou a criar estratégias de autoproteção e é aqui que o filme, de fato, começa. Segundo a teoria dos universos paralelos, primeiramente escrita pelo físico americano Hugh Everett, em 1950, cada vez que uma possibilidade física é explorada, o universo divide-se em realidades, cada qual tendo o seu próprio universo não menos real do que aquele que conhecemos. Ou seja, quando criamos um universo paralelo, vivemos toda a realidade daquele universo e suas consequências físicas. Isso explica, por exemplo, a existência de doenças psicológicas - e até gravidez! Segundo Everett, num acidente de carro em que o motorista não morre e sai ileso, em algum universo ele pode ter morrido, assim como em algum universo ele pode ter se ferido, ou em outro se recuperado do acidente após uma boa estada no hospital. Os universos paralelos abrem infinitas possibilidades, cabe a nós escolher em que realidade vamos viver.
Quando criamos um inferno mental, vivemos todos os efeitos e consequências desse estado pertubador. O corpo padece, a mente agoniza e o espírito sofre uma angústia criada unicamente para fins de autoflagelo, que resiste como um vício do qual não é tão simples assim livrar-se. Na realidade externa, Nicolau leva uma vida pacífica, seus pais o amam e ele tem uma turma de amigos pestinhas na escola que apronta todas. A sua estratégia de autoproteção na eminência de ser abandonado pelos pais, quando o irmão nascesse, consistia em fazer-se indispensável. Seus primeiros planos, entretanto, não surtem o efetio desejado por ele. Outros são colocados em prática. Com a ajuda dos amigos da escola, ele cria novos estratagemas para a sua autodefesa e diversos planos entram em ação. Embora todos eles sejam muito bem elaborados, no final, os resultados são nulos. Nesse torvelinho ensandecido de planos mirabolantes que não resultam em nada realmente efetivo, Nicolau encontra um menino da escola cujos pais acabaram de ter um outro filho. Ele fala da chegada do irmão, da importância desse acontecimento em sua vida e do lado positivo de ser o irmão mais velho, transformando por fim o universo paralelo de sofrimento e angústia em que Nicolau se meteu desde o dia em que percebeu que ia ter um irmão. Mas uma grande supresa ainda estaria por acontecer na vida do pequeno Nicolau.
Nada mais normal do que se fazer uma sequência para blockbusters, ou campeões de bilheteria, ainda mais quando o primeiro filme tem no curriculum uma arrecadação de mais de US$ 60 milhões nos Estados Unidos logo na primeira semana. Arrebatador. Porém, tanto o #1 quanto o #2 desse thriller de terror apresenta a mesma intenção, isto é, fazer o espectador pular de cadeira de susto enquanto está no cinema e, mais tarde, deixá-lo vidrado de medo na cama na hora de dormir em casa. A intenção de assustar o espectador tem lá os seus méritos, mas para ser eficiente nesse quesito Atividade Paranormal 2 abriu mão de uma estória coerente e com algum sentido.
Na postagem sobre A Industria do Medo, publicada em 11 de janeiro de 2010 neste blog, comentei sobre as supostas regras para assustar utilizada nos roteiros dos filmes de suspense e/ou terror. É padrão seduzir o espectador para um susto num terço da fita, outro susto num segundo terço e pisar no acelerador dos sustos no último quarto de tempo do filme, criando então um final chocante e revelador. Para dar um bom susto é preciso criar um ambiente prévio de aparente tranquilidade, relaxando o espectador antes de fazê-lo finalmente pular da cadeira. Cruel. Mas a verdade é que, quanto mais tranquila for a cena que leva ao susto, ou que lhe serve de gancho, maior será o pulo da cadeira. E os diretores fazem questão de levar isso a sério porque o espectador adora pular da cadeira em filmes de suspense e terror - eu, ao contrário, já tenho o hábito de ficar colado nela. Nesse aspecto, as duas edições de Atividade Paranormal mostraram algo inovador: deixaram todos os sustos para os últimos 30 minutos de filme, ou seja, o seu último quarto.
Podemos dizer que, quando um filme não está embasado na verdade, ou melhor, quando ele não foi feito com base em pesquisa séria, inevitavelmente, veremos uma fantasia. Há um pouco de ficção na realidade, mas não de fantasia. Ou seja, criamos coisas que passam a ser verdades. Mas não podemos criar o que não é possível. Nesse aspecto, Atividade Paranormal não parece interessado em verossimilhanças para tratar de assunto sério, mas de simplesmente entreter através do medo. As crenças ficam claras na estória. Tanto a jovem adolescente, que busca na internet maiores informações sobre "demônios," quanto a empregada, provavelmente mexicana, parapsíquica, que traz soluções mágicas para afastar espírito ruim, procuram soluções em suas crenças.
Ambos as estórias são improváveis sob vários aspectos, mais notadamente no fenomenológico e contextual, e ambas as produções pecam no roteiro e acabamento de imagem, muito embora este último probleminha seja o grande diferencial do diretor envolvido no chamado filme verdade. Paradoxalmente, o perigo da incoerência em Atividade Paranoral 2 é a perda de contato com a realidade e a consequente omissão didática do fenômeno em si, pois ele existe de uma maneira não mostrada no filme. Por essa razão, decidi escrever sobre o filme.
O filme deixa algumas perguntas no ar. Se você instalasse um sistema de câmeras de segurança em sua casa, por conta de um suposto arrombamento ocorrido na sua ausência, você se recusaria a ver as imagens gravadas nessas câmeras quando houvesse um caso "estranho" na sua residência? Se três pessoas que vivem com você afirmassem que algo "estranho" está acontecendo na sua casa, qualquer coisa bem fora do normal, a sua reação seria a de simplesmente ignorar os fatos? Ainda, no clímax de uma situação de grande perigo dentro da sua casa, você pegaria primeiro a lanterna e esqueceria o seu filho no berço? Se a sua cunhada já tivesse passado pela mesma série calamitosa de fenômenos paranormais, você acharia normal se ela simplesmente desprezasse o seu problema? E por fim, depois de ver a sua casa literalmente sacudida por fenômenos paranormais e sua família devastada pelos traumas dos assombrosos eventos, você continuaria morando na mesma residência como se nada tivesse acontecido? Se você respondeu “sim” para qualquer uma das questões acima, o seu bom senso e discernimento estão em níveis críticos.
Uma possível justificativa para as inverossimilhanças do enredo reside no fato de que, nos Estados Unidos, entende-se por espírito a alma penada de um dessomado errante, uma consciência patológica ainda presa à matéria, mas não violenta e cruel, enquanto por "demônio" entende-se os espíritos que, em sua essência vil, espalham o mal, infernizam os vivos e lhes cobram promessas impagáveis e reclamam pactos eternos. Segundo a crença popular, esses "demônios" têm uma força descomunal e um domínio da matéria muito maior do que a de muitos vivos. São sorrateiros, ardilosos, vingativos e agem muitas vezes escondidos em brumas e sombras, com cheiro fétido e baixando a temperatura a níveis glaciais, quando não materializados em gente conhecida de suas vítimas a fim de as seduzirem com facilidade e manterem-se no anonimato. Há uma vasta literatura sobre "demônios" na internet. Em Atividade Paranormal 2 é um deles que toca o terror (ou será que havia mais de um? Não se sabe). Porém, vale à pena lembrar que esse poder demoníaco tem sido explorado à exaustão nos filmes de terror de uma maneira unicamente interessada em assustar, sem qualquer embasamento de pesquisa séria, dando a falsa impressão de um mal irremediável, o que pode gerar um engano danoso para espectadores menos avisados, porém afoitos o suficiente para encarar o perigo da ignorância multidimensional.
Ora, a paragenética ainda não revelou um padrão comprovável de energias extrafísicas capaz de suplantar em força a propriedade anímica das energias vitais (intrafísicas). O corpo físico é uma fonte de energia singular, potencializada por carne, órgãos, ossos e músculos, própria do ambiente físico e fortificada também pelas energias imanentes, provenientes da terra, do fogo, da madeira, da água e do ar, de pedras, plantas e animais, como de outros elementos inerentes do mundo material. A lógica universal não confirma a idéia de que uma consciência que não mais possui o corpo físico, isto é, energia anímica, seja capaz de utilizar padrões de energias intrafísicas com a mesma potencialidade de um ser vivo, senão por meio justamente deste ser humano vivo. Ou seja, nos doamos energia para que um espírito se manifeste materialmente (ectoplasmia). Se por um lado, o filme deixa a impressão de que “demônios” (equivocadamente) devem ser temidos por sua força própria, por outro, ele fornece uma justificativa (intencional ou não?) para o uso dessa habilidade e força em tais criaturas, uma vez que há na casa um adolescente e uma criança. Num ambiente propenso a poltergeists, normalmente, há jovens adolescentes ou crianças pequenas doando energias para esses eventos. Isso porque, em fase mais tenra, as energias são bem mais potencializadas e menos controladas, de modo que espíritos técnicos nessa modalidade sabem muito bem como usá-las. Mas poltergeits não acontecem por acaso, não são aleatórios e não se justificam apenas no histórico energético do ambente. É preciso haver uma freqüência de energia humana compatível, uma razão pela qual tais espíritos se comuniquem, isto é, uma entropia energética trilateral (espírito-humano-ambiente). A sinergia entre esses três componentes desencadeiam o poltergeist. O ambiente serve de repositório para as consciências efermas, mas os seres vivos fornecem o combustível para as suas ações. Sendo assim, a possibilidade para que eventos como esses mostrados no filme aconteçam não depende apenas do assediador (aqui, "demônio"), mas igualmente do fornecedor das energias motrizes e do próprio ambiente em que ele vive ou se encontra temporariamente.
Particularmente, por alguma razão provavelmente autosabotadora, penso que Atividade Paranormal 2 é melhor do que o seu predecessor, porque há mais momentos em que podemos acreditar que aquilo é possível, mas não deixa de ser um filme repleto de lacunas de coerência, feito para dar sustos e promover medo. Enfim, o diretor deve saber que, quem gosta de ir ao cinema com o propósito de tomar susto e sentir medo, não está muito interessado em saber se a estória faz sentido.
Eduardo de Oliveira Coutinho é considerado um dos mais importantes documentaristas da atualidade. Seu trabalho caracteriza-se pela capacidade que Coutinho tem de ouvir o outro, perscrutar a vida e mostrá-la cruamente com toda a isenção possível. Seus filmes desenrola-se de maneira natural, sendo levados pelo curso dos depoimentos, descortinando universos desde os mais comuns como os mais distantes e desconhecidos. Em sua filmografia, Eduardo Coutinho conta com algumas pérolas, como Edifício Master, Cabra Marcado para Morrer, Santo Forte, Jogo de Cena e Peões. Nessa entrevista, "Visões do Documentário," Eduardo Coutinho nos revela o seu universo particular, a sua forma de criação e seus encantos com a vida.
As mudanças possuem uma força impressionante quando têm que acontecer, quando são imprescindíveis e fazem parte do compromisso evolutivo inadiável. Contudo, se o viés motriz da evolução é a mudança, por que resistimos tanto perceber a necessidade de mudar? E, mesmo quando a percebemos, por que é tão difícil reciclar enfim antigos hábitos, atitudes, desconstruir valores desatualizados e torná-los mais saudáveis? Por que estamos amiúde comprometidos com nossos ganhos secundários, envolvidos em pactos mórbidos e imersos em auto-sabotagens nocivas à nossa própria evolução?Evoluir requer coragem para enfrentar o desconhecido, encarar o desafio da renovação e abrir mão do superficial desnecessário; uma coragem conseguida através da vontade inquebrantável. Evoluir começa quando assumimos o comando de nós mesmos e a interia responsabilidade por nossos atos. Evoluir é, portanto, um movimento individual e intransferível.
Entre a intenção e o gesto de mudar, entretanto, há um abismo, ou melhor, um mata-burro que nos impede de prosseguir no caminho da mudança. Hesitamos diante dele, avaliamos os ganhos, tememos o pior, fraquejamos na vontade e receamos dar o próximo passo; esquecemos do nosso compromisso evolutivo, das nossas responsabilidades e do trabalho a ser feito a partir das mudanças. Entramos nos estreitos limites do restringimento físico, esquecemos a realidade pluri-existencial, da nossa procedência extrafísica e desprezamos nossas habilidades para realizar a programação determinada. É sempre mais fácil recorrer ao caminho mais simples e prático, aquele que não exige esforço, e por isso optamos pelo mais desejado em detrimento do que é necessário. Porém, alguns compromissos já estão determinados, o posicionamento consolidado e a vontade estabelecida em algum recôndito intraconsciencial. Basta apenas uma senha, uma imagem, um sonho, um evento, qualquer sinal que nos lembre que eles existem em no universo intraconsciencial e que chegou a hora de colocá-los em prática. Às vezes, é preciso um trem descarrilhar para entrarmos nos trilhos. Outras vezes, é necessário um raio cair bem na nossa cabeça para produzir uma mudança relâmpago. Foi exatamente isso o que aconteceu com Dannion Brinkley.
Em 1975, um jornal da cidade americana de Augusta, no estado da Geórgia, publicou a notícia de que um jovem da Carolina do Sul havia sido atingido por um raio. O jovem se chamava Dannion Brinkley e até então ele nem suspeitara de que houvesse EQMs (Experiências de Quase Morte) e muito menos o que elas significavam. Dannion foi atingido por um raio enquanto falava ao telefone em casa, numa noite de tempestade. A descarga elétrica veio pelo fio do telefone, atingiu o seu pescoço e o levantou do chão. Dannion teve uma parada cardíaca da qual só conseguiu se recuperar horas mais tarde, num hospital, quando os médicos já estavam desenganados da sua recuperação. Em coma, ele sobrevoou o próprio corpo, a sala médica, e foi além, à uma paragem extrafísica para ter com uma equipe de 13 consciências preocupadas com o seu destino na Terra. Reunido com o time que mais tarde ele descreveria como formado por 13 “espíritos de luz,” Dannion viu passar diante dos olhos o filme da sua vida até ali.
Na época em que o raio o atingiu, Dannion era uma consciência pertubada, um "garotão" de mais ou menos 30 anos, com todos os defeitos deslocados de um adolescente no auge da fase da afirmação. Era impaciente, imaturo, intolerante, egoísta, agressivo, briguento, individualista, cruel etc., citando apenas algumas de suas desqualidades. Casou-se com uma mãe, na verdade, a quem chamava de esposa, tal era o zelo e comando desta mulher para com ele. Na pequena cidade em que vivia, Dannion era conhecido pelas suas brigas, confusões e até ações criminosas - ele já havia ateado fogo numa residência com toda a família lá dentro, quando tinha 12 anos, ou perto disso. Enfim, o filme da sua vida lhe apareceu tal um documentário policial, com cenas de violência, refregas e confusões. Quando viu as imagens de tudo de errado que havia feito diante dos olhos, ele ficou triste e chorou. Sentiu na pele, pela primeira vez, a gravidade do seu desvio e as consequências da sua dissidência extrafísica. Estava muito distante da consciência que devia ser para cumprir a programação existencial planejada. Resnascer para Dannion fez com que ele caísse no limbo de um esquecimento noscivo, pois a grande "virada de mesa" existencial, o que veríamos depois, não aconteceria de outra forma senão por meio de uma EQM. Sem o propósito de uma reciclagem séria, ele seguiria em automimese, repetindo os erros da sua índole agressiva.
Quando deixou o hospital pela primeira vez, Dannion experimentou o avanço descomunal do seu parapsiquismo. Ganhou o talento da premonição e uma incrível perceção energética. Podia prever eventos de um futuro distante e ler a história pessoal (holobiografia) de qualquer pessoa que estivesse na sua frente. Além, disso, passou a se projetar com frequência. Nessa época, procurou o dr. Raymond Moody, famoso por seus estudos de EQM e então uma autoridade em experiência projetiva nos Estados Unidos, além de também ser o autor do livro "Depois da Vida" e do ótimo documentário "Vida Depois da Morte," ambos sucessos de venda nos Estados Unidos e, mais tarde, em todo o mundo. O primeiro encontro entre Dannion e dr. Moody aconteceu numa das palestras que o médico dava nos Estados Unidos. "Eu estava fazendo uma palestra numa universidade estadual da Carolina do Sul a respeito de experiências de quase-morte e de meus estudos com pessoas que haviam tido essas experiências profundamente espirituais," conta o dr. Moody. "Durante o período de debates, no final da palestra, Dannion levantou a mão e nos falou de sua experiência. Ele deixou a platéia fascinada com a sua dramática história." Dr. Moody havia lido sobre o caso de Dannion Brinkley no jornal local e desde então ficou interessado em conhecê-lo.
Os dois voltariam a se encontrar mais tarde, mas, após aquela primeira palestra, Dannion refugou. Com a experiência do debate científico, ele pensou que as suas vivências eram de fato doidas demais para fazer as pessoas acreditarem no que estava dizendo. Ele resistiu aos pedidos do dr. Moody para um novo encontro, mas a obstinação do médico acabou por vencer a sua resistência. "Mais tarde, consegui marcar um encontro para entrevistá-lo e fui à casa dele para ouvir sua história," conta o dr. Moody. "A partir desse dia, a experiência de quase-morte de Dannion Brinkley permanece como uma das mais notáveis que já ouvi. Ele viu o próprio corpo morto por duas vezes, quando saiu dele e quando retornou, e, nesse intervalo, foi para um reino espiritual habitado por seres bondosos e poderosos que lhe permitiram ver sua vida numa completa retrospectiva e avaliar seus êxitos e suas imperfeições. Depois foi para uma linda cidade de cristal e luz, e ficou na presença de treze seres de luz que o inundaram de sabedoria."
Com o dom da premonição adquirido (ou recuperado?) na dimensão extrafísica, após as EQMs, Dannion disse em 1975 que o colapso da União Soviética iria ocorrer em 1989 e que seria marcado por problemas causados pela falta de alimentos. Previu também que uma grande guerra nos desertos do Oriente Médio seria deflagrada quando um país pequeno fosse invadido por um outro maior. Segundo Dannion, as consciências extrafísicas, com quem ele se encontrava durante as EQMs, lhe disseram que haveria um sério conflito entre dois exércitos em 1990. A guerra da qual eles estavam falando era, naturalmente, a Guerra do Golfo. Dr. Raymond Moody e Dannion Brinkley se tornariam amigos íntimos e uma parceria de trabalho nas palestras sobre EQM nos Estados Unidos. Até lá, Dannion teria pela frente uma fase de reciclagens existenciais e intraconsciencias sérias, que lhe exigiriam muito esforço, pois deveriam acontecer em tempo relâmpago, ou seja, na mesma velocidade que o raio havia lhe atingido dentro de sua própria casa, enquanto falava ao telefone. Esse esforço seria recompensado por tudo de positivo que aconteceria a Dannion nos anos seguintes, após essa trasformação, num processo exemplar de coragem para evoluir.
No filme do diretor Lewis Teague, uma produção de 1995, hoje apenas disponível no Brasil em VHS, o ator Eric Roberts fez muito bem o papel de Dannion Brinkley, representando de maneira convincente o período da sua transformação de caráter. Sua atuação elogiada lhe valeu uma indicação ao Prêmio Emmy e ao Globo de Ouro. No período em que passou do bandido odiado pela população da cidade ao mocinho admirado por todos no filme, vemos uma sequência muito boa de exemplos do que acontece quando mudamos nossas atitudes patológicas radicalmente. Em geral, o que vemos é que algumas companhias (físicas e extrafísicas) simplesmente nos deixam de lado (ou as deixamos para trás), outras fazem reciclagens ao mesmo tempo e seguem conosco a nova trilha, outras resistem, mas no fim elas se modificam também e seguem ao nosso lado. Isso é válido tanto para colegas e amigos, quanto para familiares, próximos ou distantes. Sendo a evolução da consciência de caratér individualíssimo, nesse momento, a referência deve estar sempre na nosssa frente, na escala evolutiva, e não nos que ainda estão presos no mimetismo acachapante, improdutivo e espúrio.
O filme do diretor Teague apresenta uma rica sequência de eventos parapsíquicos expostos com muita didática, de fenômenos projeciológicos e o roteiro não deve ter ficado muito distante da realidade conforme narrada no livro "Salvo Pela Luz (Saved by The Light)," que Dannion Brikley escreveu para contar suas experiências, pois não há nada no filme que não possa acontecer com qualquer um de nós na realidade.
A Revolução Francesa marcou o mundo pela transformação que a força popular causou na França a partir de 1789, mudando o quadro político e social do país e dando início à Idade Contemporânea. Cansados da miséria na qual viviam e dos desmandos da nobreza, o povo se uniu e lutou pelo fim da opressão monárquica, aboliu a servidão e os direitos feudais e proclamou os princípios universais de liberdade, igualdade e fraternidade. Em uma frase marcante de Maria Antonieta, ela diz “se o povo não tem pão, que coma brioche.” A situação na França era a de um Estado pobre num país rico. A burguesia tão enriquecida confrontava uma massa de camponeses famintos, onde o trabalho e o sustento andavam muito além do conceito de dignidade e o sentimento de exploração imperava. Algumas décadas mais tarde, na primeira metade do século XIX, a Revolução Industrial fez migrar muitos camponeses para os grandes centros à procura de trabalho. A mão-obra tornou-se excedente e o trabalho se desvalorizou, expondo os trabalhadores a condições de exploração por parte da burguesia financeiramente dominante. O legado da Revolução Francesa sofre, assim, com o surgimento de uma plutocracia dissimulada.
Baseado no livro homônimo de Émile Zola, Germinal é ambientado na França do século XIX e descreve a situação dos trabalhadores das minas de carvão ainda nos primórdios da Revolução Industrial. Com o surgimento das máquinas, o carvão se tornou de extrema importância por ser a fonte de energia para o funcionamento das mesmas. A exploração desse minério passou, entretanto, pelo doloroso processo de exploração de homens, mulheres e crianças, que se aventuravam nos confins subterrâneos para arrancar o sustento de suas famílias. Sem distinção de gênero ou idade, todos eram empregados nas minas. Muitas famílias enfiavam todos os seus membros nesse trabalho para engrossar a renda familiar, pois os baixos salários não permitiam que os homens fossem arrimos de família. Essas famílias, por sua vez, aumentavam a quantidade de filhos para que eles se tornassem uma força de trabalho e renda no futuro. Numa família de nove membros, por exemplo, todos os salários arrecadados com o trabalho nas minas ainda não eram suficientes para garantir o pão na mesa todos os dias. Por outro lado, os patrões, donos das minas, se refestelavam com iguarias das mais nobres em suas mesas e viviam em palacetes. Se antes da Revolução Francesa vemos a nobreza explorando a classe trabalhadora, na Revolução Industrial esse papel ficou por conta da burguesia.
O contexto histórico em que o excelente Germinal, do diretor Claude Berri, foi inserido mostra que o impulso do desenvolvimento tecnológico proporcionado pela Revolução Industrial traz como consequência condições econômicas e sociais inicialmente desastrosas. As corporações de ofício dão lugar às empresas burguesas, fazendo com que o sistema de produção artesanal fosse desmantelado e artesãos camponeses tivessem que correr atrás de trabalho nas cidades industrializadas. Segundo Marx, “o processo capitalista é uma relação de troca tendo o lucro como resultado da expropriação da mais-valia gerada pela força de trabalho," ou seja, o excedente é apropriado pelo capitalista.” A venda de sua força de trabalho é a única solução da classe proletariada para garantir a sua sobrevivência.
No contexto francês retratado no filme, a liberdade passou a não existir. A dependência de se tirar o sutento com um trabalho terrivelmente remunerado amarrou famílias inteiras à exploração no trabalho e a condições impensáveis de vida, além de que as casas em que essas famílias viviam pertenciam aos seus patrões. A igualdade se tornou extinta. Uma alarmante diferença social crescia entre uma minoria burguesa endinheirada e dominante e uma massa de trabalhadores oprimidos e mortos de fome. A fraternidade desapareceu com o ódio que um povo subjulgado passou então a nutrir por uma classe burguesa indiferente à pobreza e cada vez mais rica. Numa das cenas finais do filme, um senhor doente por causa da ingestão de carvão, estrangula fria e repentinamente a filha do dono da empresa para a qual havia trabalhado. O velho doente, moribundo e fraco, levanta-se de sua cadeira, anda calmamente em direção à bela moça e num arroubo de ódio aperta o seu pescoço até ela perder os sentidos e morrer. Essa falta de liberdade, igualdade e fraternidade surge como consequência de um assombroso contraste social o qual, nessa época, marca o retrocesso na prática dos princípios universais. Depois que a Revolução Industrial criou as suas raízes com profundas contradições e injustiças sociais, a chamada Idade Contemporânea despontava da terra com os primeiros frutos do novo mundo capitalista. O terreno não poderia ser melhor para germinar “a necessidade de uma consciência de classe para o início de uma real revolução por parte do proletariado,” segundo Marx.
Os trabalhadores das minas não tinham garantia de emprego, benefícios, segurança, saúde e eram expostos a cargas de tabalho desumanas de até 16 horas por dia. Recebiam seus parcos salários por uma produção cada vez mais exigente e menos remunerada. Não tinham apoio de sindicatos e associações, nem contavam com leis que os protegessem da exploração dos patrões. Dessa maneira, homens, mulheres e crianças morriam no e/ou do trabalho com o carvão, eram vilipendiados e roubados, trabalhando em condições insalubres e inseguras e sujeitos a toda sorte de acidentes que lhes ceifavam a vida e lhes retringiam o pão, Muitos chegavam a pedir esmolas aos burgueses e acumulavam dívidas nas lojas de alimentos. Por conta da completa penúria, a vida operária era levada por meio de muita luta e privação, sacrifício e esgotamento. Contudo, à sombra de Marx e Engels, surge uma formação embrionária dos agrupamentos de trabalhadores fortemente inspirados na doutrina socialista, destinados a presionar os empregadores donos das minas e a exigir melhor remuneração e condições de trabalho.
A obra de Zolaremete ao processo de gestação e maturação dos movimentos grevistas, ou à uma atitude embrionária mais agressiva por parte dos trabalhadores das minas de carvão, na França, contra à exploração de seus patrões. Ao lado da Inglaterra, a França foi um dos países que integraram o conjunto das primeiras nações industrializadas. O diretor Claude Berri tratou de fazer um filme onde a crueza dos fatos tem realmente um papel fundamental para ambientar fidedignamente a obra de Zola e sua intenção foi a de chocar (ou revoltar) as mentes mais socializadas e incomodar aqueles cujos princípios universais funcionavam na prática, tal como era a intenção de Zola. Essa forma contundente com que os acontecimentos no filme são mostrados não implicam, entretanto, partidarismos sociais ou revelam tendências politicamente corretas, confrontadas na velha fórmula de mocinhos e bandidos. Qualquer julgamento deve ficar por conta da análise simples e crua dos fatos, tal qual acontece diante do professor numa aula de história. Muito embora, vale aqui ressaltar, uma sensação de reviravolta revanchista nos acompanhe a partir do momento em que os trabalhadores se revoltam. O que transparece no propósito do diretor é um sinal vermelho para as dificuldades do mundo operário do século XIX. Émile Zola escreveu Germinal no período do surgimento da Internacional Comunista e faz menção a Marx e Engels, assim como ao anarquismo, e isso fica claro no filme através de um dos seus personagens. Para escrever Germinal Zola trabalhou dois meses numa mina de carvão, vivendo tal um mineiro, comendo e bebendo, dormindo e acordando, assim como sofrendo as mesmas augúrias daqueles trabalhadores infelizes e explorados ao extremo. Isso, consequentemente, deu à história um teor realista incontestável. A ótima reprodução de época da película de Berri, uma fotografia sublime e as atuações arrebatadoras de grande parte do elenco reforçam artisticamente a importância dessa produção francesa do romance de Zola. Germinal é imperdível não apenas pelo seu valor histórico, como pelo farto material que a obra nos traz para gerar uma significativa análise das qualidades e vulnerabilidades da natureza humana.