
A prova da ascenção dos chamados ghost movies é que, com o passar dos anos, vamos contando cada vez mais sucessos de crítica e público nos cinemas, como Os Outros, O Sexto Sentido, Premonições, Ghost, Poder Além da Vida, O Mistério da Libélula, Morrendo e Aprendendo, As Cinco Pessoas que Você Encontra no Céu, entre outros, todos apresentando a temática multidimensional. De todo o planeta vemos hoje produções que abordam esta classe de dramas, o que me impressiona. Filmes como o tailândes, Dorm, O Espírito, é a prova disso - um filme lúcido e realisticamente viável, além de muito instrutivo. Tão Longe, Tão Perto, clássico do alemão Wim Wenders, entra como um dos ícones do cinema no assunto. O taiwanês, Su Chao-Pin, apresentou o seu Silk - O Primeiro Espírito Capturado em Cannes e participou da Seleção Oficial do Festival em 2006. O japonês Masayuki Ochiai veio com Imagens do Além, com produção americana, e acertou nas medidas da crítica e do público do gênero. A lista pode ser longa e não poderíamos deixar de incluir o espanhol O Orfanato. Com um roteiro redondo, sem falhas e não-ditos, Juan Antonio Bayona desfila sua estória com maestria. Num misto de contos de fada e fantasmagoria para adultos, por ser tão bem feito, entramos lentamente, sem perceber, em vários universos paralelos, até descobrirmos que não havíamos saído da realidade um só minuto. Essa é inclusive a surpresa que dá ao filme a classificação de wow!
Particularmente gosto de filmes que trazem essa receita psicológica infalível de misturar elementos da fábula, típicos do universo infantil, com elementos do drama e do suspense, com toques lisérgicos que nos desnorteiam antes do despertar para a vida multidimensional, como acontece em Os Outros e também em Premonições de uma forma mais ostensiva. Tais filmes pegam o espectador pela mão e o fazem adentrar realidades paralelas nunca antes visitadas, como se num "museu de grandes novidades." Essa sensação é muitas vezes coerente com a falta de lucidez em projeções da consciência, na dimensão extrafísica. Criamo

O Orfanato não é um filme com a intenção clara e única de assustar, embora, claro, a ferramenta de todo drama de suspense não tenha aqui sido desprezada por J. A. Bayona. Tudo no filme tem uma e

A idéia é reabrir o orfanato e ela e o marido estão anciosos por isso. Mas o pequeno filho do casal não demora a relatar que brinca com outras crianças do local, no que, óbvio, os pais não acreditam, uma vez que ela é a única criança vivente do lugar. É aqui que, sutilmente, os fatos começam a acontecer. As experiências com os amigos imaginários do menino se tornam freqüentes até que a convivência com tais ocorrências vira um pesadelo. A partir daí o filme ganha seus contornos fantasmagóricos e inicia-se então a segunda parte com o desaparecimento de Simón. Pilar e o marido se unem numa busca ensandecida pela criança, a qual irá envolver também personagens sinistras, como a velha Benigna (Montserrat Carulla) e a médium Aurora (Geraldine Chaplin).
Segredos familiares são revelados, passados são desenterrados, para então as reconciliações serem realizadas. Nesse complexo universo em que as personagens gravitam atormentadas, revela-se uma estória surpreendente - dessas que custamos a entender, até que juntamos todas as peças do quebra-cabeça e descobrimos o point do jogo. Eureca! Essa descoberta ou encontro com o main plot do filme é fascinante, pois é algo que se cria com muito senso estético, criatividade e uma afortunada espirituosidade. Além dessa mágica no roteiro, há referências deveras interessantes em O Orfanato. Há um lado Peter Pan, quando um Simón imortal passa a morar numa espécie de Terra do Nunca. Na medida em que os fatos ocorrem, os mistérios se avolumam e o suspense ganha uma força extra para nos conduzir para o inesperado desfecho da estória. Pilar e o marido divergem sobre os aspectos sobrenaturais do sumiço do filho, mas concordam em buscar ajuda profissional. Contratam então os serviços de Aurora (Geraldine Chaplin), a médium vidente e sensitiva, que vai

Como disse ao longo da resenha, O Orfanato traz não só um roteiro vitorioso, como leva a Espanha a ter uma indicação ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro.
Título em Português: O Orfanato; Título Original: El Orfanato; Gênero: Ghost movie; Diretor: Juan Antonio Bayona; País: Espanha/Mexico; Duração: 105 minutos. Visite o site: www.theorphanagemovie.com