Bem-vindos ao Cinema & Consciência, um novo espaço para a difusão e a discussão do cinema brasileiro e internacional. Vamos falar de filmes ou documentários, discutir ética e estética do cinema, com enfoque nas pessoas, nos temas e nos fatos. Os comentários dos visitantes serão sempre bem-vindos.

Todos os textos neste blog são de autoria de Mário Luna, salvo aqueles em que a fonte for mencionada.
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"Não acredite em nada que ler ou ouvir neste blog. Reflita. Tenha as suas próprias opiniões e conclusões"





sexta-feira, 10 de setembro de 2010

100 Filmes com Amparadores

Amparadores, guias espirituais, anjos, mentores, seres de luz, protetores, por qualquer nome que você os identifique, o especialista assistencial exerce com lucidez e discernimento a relação interconsciencial avançada no domínio multidimensional. 

A condição de amparo, entretanto, ocorre apenas quando ao menos 51% do tempo consciencial é dedicado à assistência, com altruísmo e maxifraternismo. A função do amparador pode ser exercida a partir de vários estados conscienciais: de consciêcia intrafísica para consciência intrafísica, na dimensão física ou extrafísica, quando projetada, de consciência extrafísica para consciência extrafísica, de consciência intrafísica para consciência extrafísica, quando projetada, de consciência extrafísica para consciência intrafísica, o que torna a teia assistencial bastante complexa.

Agir como amparador é atuar pensando no outro, educar, instruir, compreender, ceder, assistir, proteger, encaminhar, disponibilizar a assistência em benefício do melhor para o assistido e para todos os que aprenderão com aquele beneficio. Qualquer intensão parcial, emotiva, tendenciosa, partidária, mercenária, intereceira, zelosamente protetora fere a cosmoética universalista e consequentemente a real natureza do amparo. Pais, parentes, amigos podem atuar como amparadores desde que o pensamento, o sentimento e a energia desprendida na assistência tenha intencionalidade altruísta, incólume, o desejo de ensinar, fazer refletir e promover o melhor para o assistido imparcialmente.

A temática da assistência promovida por amparadores tem sido amplamente abordada em filmes os mais variados. Filmes onde a assistência de alguma forma é realizada. Não apenas na figura do religiosamente aceito por anjo ou espírito, isto é, por alguém que não pertence a este mundo, mas, sobretudo, pela assistência de inúmeros amparos intrafísicos que, por alguma razão, somos contemplados no dia-a-dia. Um dos filmes mais marcantes na temática da amparalidade é "Entre o Inferno e o Profundo Mar Azul," por abordar o tema lembrando que o amprador pode ter 40 anos menos do que você. A listagem abaixo foi compilada a partir de outras listagens de filmes espiritualistas, sugestões pessoais e leituras de críticas publicadas em sites, revistas e jornais.


A Cidade da Esperança
A Dupla Vida de Veronique
A Eternidade e Um Dia
A Felicidade não se compra
A História de Florence
A Lenda do Pianista do Mar
A Natureza Quase Humana
A Primeira Visão
À Primeira VistaAdeus
À Procura da Felicidade
A Reencarnação de Peter proud
Adeus, Minha Concubina
Além da Eternidade
Alta Frequência
Amor Além da Vida
Anna e o Rei
As Bruxas de Salem
As Duas Vidas de Audrey Rose
Billy Elliot
Cidade dos Anjos
Contato
Décimo Terceiro Andar
Depois da Vida
Doce Novembro
Dorm, O Espírito
Duas Vidas
Em Busca da Felicidade
Encantadora de Baleias
Encontrando Forrestier
Encontro Marcado
Energia Pura
Entre o Inferno e o Profundo Mar Azul
Falando com os Mortos
Fernão Capelo Gaivota
Filha da Luz
Ghost – Do Outro Lado da Vida
Ghost Whisperer
Lendas da Vida
Ligações Perigosas
Manika - A Menina que Nasceu Duas Vezes
Mar Adentro
Mentes que Brilham
Meu Pai - Uma Lição de Vida

A Entidade
Minha Vida em Outra Vida
Morrendo para Viver
Mother – Em Busca da Verdade
Nenhum a Menos
Nosso Lar
O Caçador de Pipas
O Destino em Dose Dupla
O Dom da Premonição
O Enigma das Cartas
O Escafandro e a Borboleta
O Homem que Fazia Chover
O Mistério da Libélula
O Oitavo Dia
O Ponto de Mutação
O Sexto Sentido
O Sorriso de Monalisa
O Violino Vermelho
Os Anjos da Guarda
Os Inocentes
Os Outros
Paixão Eterna
Papai Fantasma
Para Sempre Pestalozzi
Patch Adams - O Amor é Contagioso
Perfume de Mulher
Poder Além da Vida
Profecia Celestina
Quase Deuses
Regras de Vida
Retorno de Howards End
Salvo Pela Luz
Sete Anos no Tibet
Sociedade dos Poetas Mortos
Tão Longe, Tão Perto
Tempo de Despertar
The Man from Beyond
Tomates Verdes Fritos
Um Amor Verdadeiro
Um Anjo em Minha Vida
Um Anjo Rebelde
Um Estranho no Ninho
Um Estranho que Veio do Céu
Um Golpe do Destino
Um Homem Especial
Um Olhar na Escuridão
Um Sonho de Liberdade
Um Visto Para o Céu
Uma Lição de Amor
Uma Lição de Vida
Uma Luz na Escuridão
Uma Mente Brilhante
Uma Simples Formalidade
Vanilla Sky
Vida Depois da Morte
Visões da Morte
Vivendo na Eternidade
Voltar a Morrer

O professor de Conscienciologia e Projeciologia, Mário Oliveira, um dos especialistas no tema, concedeu uma entrevista ao programa Ciência & Consciência do Ton Martins da TV Complexis (SP) (http://www.complexis.com.br/index.htm) sobre amparadores, apresentada em quatro blocos abaixo. Nela, o professor nos dá uma idéia clara sobre a natureza do amparo, as características do amparador e as implicações evolutivas desta condição consciencial.


PARTE 1





PARTE 2



PARTE 3



PARTE 4

domingo, 5 de setembro de 2010

Contrastes Humanos

Em A Garota da Fábrica de Caixa de Fósforos, o diretor finlandês Aki Kaurismaki, o mesmo de O Homem Sem Passado, aborda a frieza e a indiferença nas relações humanas, numa Helsinque cinzenta e estacionada no tempo. Realçadas pela ausência de diálogos com mais de uma linha de texto, esses sentimentos desprovidos de humor e afeto e marcados pelo isolamento ganham um contorno dramático, através de personagens que, em países latinos, seriam diametralmente opostos.


A rotina da empregada da fábrica de caixas de fósforos é mimética e sem novidades, assim como a ação das máquinas que montam as pequenas caixas de fósforos em série. A rotina de sua família também. Tudo parece girar em torno de uma eterna repetição de dias intermináveis. Inevitavelmente, não há como desassociar o ambiente finlandês de dias frios e cinzentos com o clima no interior das pessoas. A mãe de Íris é uma dona de casa cansada e entediada com toda razão. O pai, provavelmente desempregado ou aposentado, vive largado em cima de um sofá, desperdiçando seus dias entre uma tragada do cigarro e outra, entre um noticiário de TV e outro, tentando em vão preencher o vazio irremediável. Íris é a única que trabalha e ganha o aparente único sustento da família.

Longe de casa, ela tenta se divertir numa balada que mais parece um baile da terceira idade, animado por frequentadores cafonas e música brega. Ao que parece este é o lugar para se divertir na Finlândia dos anos 70, época em que o filme é ambientado. Malfadada pelos descaminhos do sexo oposto, ninguém a chama para dançar. Mas até a pobre Íris parece farta daquilo. É quando ela decide mudar de ares e frequentar um pub. O lugar é decadente, frequentado por bêbados e meia dúzia de rolling stones. Mas é aí onde ela conhece um sujeito sem graça, tão interessante quanto um torniquete, com cara de quem, na verdade, está à procura de uma noitada com uma garoita de programa qualquer.

Desesperada por viver algum tipo de aventura amorosa e sentir-se mulher de vez em quando, Íris e a versão humana de um torniquete passam a noite juntos. Pela manhã, ele, claro, a confunde com uma prostituta e deixa uma nota de dinheiro na mesinha ao lado da cama. Ela, boba, acreditava no amor e o convida mais tarde para conhecer seus pais. O encontro é rápido e desprovido de qualquer interesse de conversa de ambas as partes, mas no jantar em um restaurante a seguir, ele desfaz seus sonhos de mulher e seus planos de começar uma vida a dois, com uma sinceridade cruel, digna de um torniquete que desconhece a ética humana. Mas o pior ainda estaria por acontecer. Íris desconhecia que fazer sexo sem camisinha e no seu período fértil produzia bêbês e ela se vê grávida do instrumento tosco do seu desprazer. É quando ela decide escrever uma carta contando sobre a gravidez e a entrega ela mesma ao inseminador na saída do trabalho.

Provavelmente, movida por uma dose insensível de esperança, Íris tivesse em mente encontrar um homem com quem pudesse se casar, ter filhos, construir uma vida a dois, fugir da casa dos pais e do vazio entediante em que sua vida havia se tornado. Porém, depois de ouvir "nada me encanta tão pouco quanto o seu amor," ela vê sua tola esperança ser deixada no prato que mal tocou no restaurante e deixa pra trás seus planos de independência. Dias depois de entregar a carta àquele que havia lhe inseminado, Íris recebe uma linha de resposta - "livre-se do pirralho." Nada mais previsível do que fazer um filho com um torniquete. Mas o pior ainda estaria por acontecer. No hospital, depois do aborto, o pai lhe visita com uma tangerina e a decisão de expulsá-la de casa.

No pálido e gélido cotidiano de uma Helsinque atrasada no tempo, vivendo em um ambiente sem humor e em meio à uma realidade dura e de poucas palavras, Íris começa uma nova vida, alugando um apartamento para morar e armando um plano macabro. Seu destino impiedoso e sem concessões produziu nada além do que um desespero de vingança e, claro, o pior ainda estaria por acontecer. O que você acha que ela faria com um vidro de remédio para ratos que ela compra na farmácia ? Não, ela não se matou.

O filme explora o limite humano diante de sucessivas decepções e uma vida insuportável. É sabido que o povo nórdico é econômico nas palavras e nas demonstrações de afeto, mas em A Garota da Fábrica de Caixas de Fósforos essa frieza e distanciamento extrapolam os limites do compreensível, como se esse cenário fizesse parte de uma realidade longe deste planeta. Não faz muito tempo que uma de minhas alunas norueguesas me revelou que não se lembrava do dia em que o pai lhe dera um beijo. Lembrei esse episódio enquanto assistia ao filme de Kaurismaki, buscando na prática algo que me fizesse acreditar que o afeto e o humor poderiam muito bem ser os principais produtos de importação por aquelas paragens.


Uma Obra Solo de Sensibilidade

O filme Goodbye Solo, do diretor americano (apesar do nome) Ramin Bahrani, é, aparentemente, um fime linear, sem grandes cenas nem grandes emoções. Mas a sutileza com que, aos poucos, a estória se desenvolve, descortina um ambiente onde não apenas o drama existencialista se faz presente, como revela questões culturais e sociais ainda polêmicas no sul dos Estados Unidos.

Como em O Gosto de Cereja, do iraniano Abbas Kiarostami, Goodbye Solo mostra a trajetória do senhor William em busca de um suicídio planejado. Ele contrata os serviços de um taxista para levá-lo à um parque nacional, onde planeja saltar para a morte de um dos despenhadeiros. No entanto, a tentativa do taxista senegalês de criar uma amizade com o seu cliente proporciona ao filme uma linha dramática sensível e cheia de sutilezas da metalinguagem. Tal tentativa acontece não apenas pelo bom humor com que o taxista encara sua prórpia vida e problemas, mas, sobretudo, a partir da sensibilização que ele demonstra pela condição de vida terminal do passageiro, como se, ali, conservar a vida do pobre velho fosse uma meta a ser atingida.

As personagens centrais se revezam em atuações primorosas. Por um lado, vemos Solo, o taxista senegalês, negro, que deseja apenas um futuro melhor para sua família em seu novo país, apesar de sua luta ser explícita para garanti-lo. Por outro, o americano William que deseja se matar só tem as lembranças do passado como fonte de sentimento. Uma relação de amizade improvável no sul dos Estados Unidos, ela vai aos poucos ganhando cotornos de possibilidade com a devoção com que Solo encara essa amizade e o desafio para torná-la realidade. Incansável, ele é o retrato da compreensão, da superação e do entendimento do outro, um requisito básico, apesar de difícil, para se fazer assistência.

O filme cria um ambiente para instigar a imaginação do espectador, tal é a riqueza de elementos exploráveis na estória. O drama existencial desenvolve seu discurso social e político com base na incomunicabilidade entre os dois personagens, que, de certa forma, estão no mesmo patamar de exclusão social, esquecidos na periferia da riqueza e do desenvolvimento. Porém, paradoxalmente, eles encontram algum entendimento. Na medida em que vemos a imaculada aceitação do taxista negro aos arroubos de grossura e intolerância do velho sulista, entendemos que essa compreensão é a resposta essencial para se chegar a algo além da discórdia e o distanciamento. Consequentemente, ambos se transformam, embora não o suficiente para que eles encontrem alguma redenção.

Na cena final (foto da capa), o taxista joga no despenhadeiro um graveto. Um ato simbólico inteligente e significativo, construído a partir dos sentimentos tortuosos que temos que enfrentar quando decidimos investir na assistência ao outro, somente realizável se movida por elementos realmente sublimes da natureza humana: compreensão, respeito e desejo de reconciliação. Algo que, quando ou se alcançado, nos redime, muito embora essa redenção não dependa da resposta que teremos do outro, pois, nem sempre, nossa intenção, por mais sublime e imparcial possível, será vista por quem não tem olhos, pelo menos naquele momento.

sábado, 4 de setembro de 2010

Encarando Cabras e Muito Mais


A clarividência viajora, ou visão remota (remote viewing) é a habilidade de ver coisas longe do corpo físico, com o emprego das parapercepções visuais. Embora já tivesse sido usada na década de 50, a habilidade parapsíquica foi interesse dos militares e da inteligência durante a Guerra Fria, com o intuito de permitir aos órgãos de seguranaça obter informação sobre locais secretos do inimigo nos quais não havia espiões.
Os russos desenvolveram mesmo antes dos americanos o uso da visão remota para fins de espionagem e estudaram também a tecnologia biofísica de controle remoto da mente (remote mind-control technology), o que não passou desapercebido da CIA, que iniciou as pesquisas nos Estados Unidos nos anos 60. Os russos têm sido os especialistas mundiais em biofísica desde os anos 50. Sua pesquisa nesta área tem-se concentrado tanto nos usos militares dos efeitos do campo biofísico e na telecinesia, que se trata da habilidade de mover objetos à distância, como na pesquisa de ‘genes psi’ que promovam e mediem a visão remota e os campos biofísicos envolvidos na telecinesia. Isto levou-os a estudarem a base biológica da RV.

A pesquisa militar sobre visão remota nos Estados Undos foi implementada com o Projeto Scangate, o que gerou a seguir outro número de projetos na área. A dra. Jessica Utts, professora de Estatística na Universidade de Stanford, desenvolveu uma pesquisa sobre visão remota e conseguiu evidências científicas da realidade do fenômeno. "Isso foi significativo," disse ela a repeito do trabalho, "porque mostrou que a ciência, tal como a conhecemos, é crucialmente falha." Os cientistas, claro, deram de ombros para os resultados encontrados pela dra. Utts e seguiram céticos (acho que mais por uma questão de sobrevivência). A ciência avança nos laboratórios mas esquece de estudar a natureza essencial da realidade física.


A posição dos militares, no entanto, dissimila a utilização da visão remota. O porta-voz da CIA, David Christian, admitiu que nenhuma pesquisa oficial sobre visão remota doi autorizada. "Pensamos que a comunidade de inteligência não deve pesquisar mais sobre isso, pois é melhor que seja feito pela iniciativa privada." Há uma campanha de desinformação para ocultar o fato de que eles seguem com as pesquisas e até aceleraram o estudo sobre o assunto. Jim Schnabel, um suposto agente da CIA, criou os verdadeiros Arquivos X, dissimulando a verdadeira intenção dos órgãos de segurança dos Estados Unidos. Mas o discurso de David Christian tem um fundo de verdade, pois as organizações privadas americanas que investigam a visão remota são todas elas lideradas por oficiais de segurança aposentados.



A ciência convencional, de qualquer forma, se fez presente nas pesquisas. Novos estudos questionaram uma base científica para a visão remota e a tecnologia biofísica de controle remoto da mente, quando os cientistas viram que não podfiam negar que ela funcionava. Joe McMoneagle, um oficial aposentado do Exército dos Estados Unidos afirma ter deixado o Stargate em 1984 com uma medalha da Legião do Mérito por obter informação sobre 150 alvos que não estavam acessíveis por outros meios senão o da visão remota. Ele usou a visão remota para entrar na mente de Shaw Taylor e ver através de seus olhos, num experimento efetuado no O Mundo Paranormal de Paul McKenna (The Paranormal World of Paul McKenna - ITV, UK). O método de usar a visão remota para entrar no cérebro de outra pessoa é chamado de telepatia ou sensor remoto (remote sensing). Porém, muita informação a respeito da tecnologia biofísica de controle remoto da mente permanece secreta.


O filme Os Homens que Encaravam Cabras, com direção de Grant Heslov e roteiro de Pete Straughan, baseado na obra de Jim Ronson, aborda a visão remota como técnica de espionagem nos domínios militares de maneira bem humorada e surrealista. Com um elenco de galácticos, como George Clooney, Ewan McGregor, Jeff Bridges e Kevin Spacey, a história fica em cima do muro da realidade como nós a conhecemos e do realismo fantástico, ambientada num Iraque invadido pelos Estados Unidos. Embora o filme tenha o sarcasmo como alma, um ingrediente sempre bem sucedido em comédias, vale ressaltar que o tema é bem mais interessante do que o roteiro criado por Straughan, às vezes insano demais para ser levado à sério e monótono o bastante para perder o seu caráter engraçado e usar o FF (fast forward) do controle remoto.


No filme, Bob Wilton é um jornalista que foi abandonado por sua esposa. Para se recuperar do divórcio, ele aceita a tarefa de cobrir a guerra no Iraque. Ele permanece em um hotel no Kuwait, já que não consegue autorização para entrar no Iraque. Um dia, no bar do hotel, Bob conhece Lyn Cassady, que diz ser um vendedor. Mas o jornalista logo se lembra de uma entrevista que fez, meses antes, com Gus Lacey, que conseguia matar animais apenas com o poder da mente. Ele ganhou esta habilidade ao integrar um setor especial do exército americano dedicado a estudos parapsíquicos, liderado por Bill Django e que também contava com Cassady na equipe. Bob conta o que sabe a Cassady. Ele na verdade está no Kuwait em uma missão secreta e precisa entrar escondido no Iraque. Animado com o furo, Bob encara o desafio de entrar no Iraque com Cassady e temos, assim, o início de uma trajetória que fará com que Bob conheça melhor o Exército de Terra Nova e os poderes mágicos de seus integrantes diante das cabras do laboratório de pesquisa, num campo militar no deserto.





domingo, 22 de agosto de 2010

Uma Borboleta no Escafandro

É possível criar um livro apenas com o movimento dos olhos. O exemplo de Jean Dominique deve deixar um grande desconforto naqueles que desperdiçam talentos, gozando de todas as suas funções vitais.

O filme O Escafandro e a Borboleta, do diretor francês Julian Schnabel, narra cruamente a estória de um paciente com uma síndrome de encarceramento provocada por derrame cerebral, que lhe deixou apenas a visão do olho esquerdo. Totalmente paralisado, é com ele que Jean Dominique tenta restabelecer seu contato com o mundo e através da sua única visão passamos a primeira meia hora de filme tão paralisados quanto o personagem. Não há nenhum outro angulo para olhar o mundo, nenhum movimento para mudar a perspectiva, nenhuma opção de comando. A imagem é uma só, turva e repetitiva. Angustiante, mas extremamente educador.

Aliás, o filme acaba por promover uma grande celebração da vida. É possível reciclar valores ao viver a única comunicação que Jean Dominique tem com o mundo à sua volta, e esta reciclagem nos faz admitir: quando perdemos qualquer uma de nossas faculdades físicas, sabemos o quão importante e essenciais elas são para viver. Os pensamentos de Jean são partilhados com o público e revelam um homem de bem com a vida, inteligente, sagaz e de grande tenacidade. Essa fome de viver resiste ao escanfandro em que ele se meteu após o derrame. Ele encontra uma borboleta para fazer seus sonhos bater asas. Nesse momento, a estória é simplesmente sublime. É também mágica a forma como descobrimos a gênesis das idéias de Jean brotando do vazio, do seu claustro particular e do seu aparente mundo vegetativo. Mais do que uma luz no fim do túnel, vemos uma luz refletindo sua alma, tão viva quanto ele era antes do acidente. Essa vida não-física permanece latente, produtiva e surge com uma força tão intensa que seu exemplo nos enche de (justamente) vida!

Por meio de um código criado com a enfermeira, Jean dá vida a um livro narrando seu drama. Com o piscar dos olhos ele codifica palavras, frases e parágrafos. Acompanhamos esse trabalho árduo, mas libertador. Suas idéias são colocadas no papel e cada frase criada é como um açoite para nós que gozamos de todas as possibilidades físicas e mentais para produzir obras e simplesmente deixamos todas em completa negligência, omitimos informações e gratuitamente nos subvalorizamos. Não há como passar ileso depois de asssitir a estória de Jean Dominique. É possível encontrar a essência da vida quando o mundo estiver restrito apenas a uma visão do olho esquerdo. Isso é válido para todo tipo de deficiência que a priori nos causa piedade. É impressionante como o deficiente pode adentrar um universo interior e encontrar lá uma energia tão assustadoramente forte e capaz de mantê-lo talvez mais vivo dos que muitos que gozam de todas as suas faculdades físicas e mentais. O Escafandro e A Borboleta é um filme para causar reciclagem. Se não, é possível que você não esteja usando bem seus dois olhos.

domingo, 8 de agosto de 2010

Simplesmente Dorothy

Apesar do título amendrontador em português (no original o filme se chama apenas Dorothy, o que é bem mais racional e coerente com a estória), Os Demônios de Dorothy Mills traz entre muitas surpresas o trabalho arrebatador da atriz Jenn Murray no papel-título.

O parapsiquismo é uma faculdade natural do ser humano, uma vez que vivemos multidimensionalmente. Para aquele que experimenta qualquer fenômeno paranormal, o parapsiquismo não é o mistério, mas um excelente recurso para desvendá-lo. Tampouco cabe mais ser enquadrado em teorias e nem encontra-se no limbo dos ceticismos. Contudo, além da vivência parapsíquica não ser tão comum quanto sair com os amigos, devido ao restringimento físico, ela se aniquila como consequência de crenças arraigadas, cientificismos materialistas e uma grande variedade de posturas existencialistas que não conseguem enxergar além da realidade física. É justamente nesse ponto que Os Demônios de Dorothy Mills encontra o seu plot.

Apesar de toda campanha propagandista em torno do filme, seu drama passa longe daquele visto em O Exorcista e tampouco pode ser considerado terrivelmente assustador. É apenas um filme coerente sobre paranormalidade e consequentemente bom para ser indicado, o que, para mim, já vale a sugestão. Mas o interesse da máquina de fazer medo do cinema e seu mercado de divulgação é justamente o contrário, a começar pela escolha do título em português. Lamentável se entendemos a real intenção por trás dessa escolha. Mas nem tão lamentável assim se entendermos o título para justificar o mundo da ignorância em que Dorothy vive "suas exquisitices."

O problema das religiões é vender suas verdades como definitivas e enquadrar a mente humana numa única moldura da realidade, essencialmente física, apesar de vagar no domínio espiritual. O alijamento da verdade relativa de ponta, utilizada pela pesquisa científica, endurece a intolerância e promove o preconceito. Tais consequências servem muitas vezes, entretanto, como dissimuladores da incoerência religiosa. Na medida em que não há o exercício da crítica e do livre arbítrio sobre o que acreditar nem a direção a tomar, muitos sucubem diante dos próprios males não revelados. A Igreja não dá conta do que você sente, mas do que deve ser sentido segundo seus preceitos. Numa pequena comunidade religiosa controlada (ou amendrontada) por um padre, essa mordaça tem efeitos ainda mais drásticos e termina por afundar-se em seus próprios segredos e mistérios.

É esse o cenário da estória de Dorothy, uma adolescente vítima de seu parapsiquismo, que apesar de tido como assustador, para muitos é tanto um atributo de sobrevivência espiritual quanto ameaçador. Quando os efeitos do parapsiquismo destrambelhado da menina atinge os membros da comunidade, com a tentativa de assassinato de uma criança, uma psiquiatra é chamada para examinar Dorothy e facilmente ela é diagnosticada como vítima de distúrbio de múltipla personalidade. Porém, quando a menina fala com a voz do filho recém-falecido da médica, o que inicialmente parecia loucura passa a ser o que os moradores acreditam, isto é, que Dorothy é um canal com o mundo dos mortos.

Um interessante estudo sobre a hipocrisia e os preconceitos que corroem uma sociedade pode ser feito a partir do que nos mostra o filme. Por trás da intolerânia dos moradores, sobrevive um segredo tenebroso revelado no final. Muitos usam Dorothy no aquém para lhes trazer notícias de entes queridos que estão no além, em rituais conduzidos pelo padre na própria igreja do lugar! e a fachada criada pelas crendices vai aos poucos ruindo na medide em que Dorothy começa a revelar a verdade, momento em que, fazendo jus ao título, todos os demônios são libertos. Talvez assim, esse título em português faça algum sentido.

sábado, 26 de junho de 2010

Entrevista com Alejandro Amenábar - Diretor de Ágora

Alejandro Amenábar é um cineasta espanhol, porém, nascido no Chile. Radicado em Madrid desde 1973, onde foi viver com apenas 1 ano de idade, estreou sua filmografia com La Cabeza (1991), filme premiado na Associação Independete de Cienastas Amadores.

Seu segundo filme, Abre los ojos (1997), reúne junto da crítica e do público um consenso muito positivo. Depois realiza Os Outros (2001) protagonizado por Nicole Kidman e Mar Adentro (2004), com Javier Bardem, filme premiado com o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro. Sua trajetória no cinema é impressionante. Não apenas pela qualidade dos seus filmes, mas por sua qualificação técnica numa idade em que a imaturidade podia muito bem lhe pregar algumas peças. É, sem dúvida, um dos melhores realizadores de cinema da atualidade.



domingo, 20 de junho de 2010

10 Obras para Acelerar Sua Erudição

Blaise Pascal
Direção: Roberto Rossellini; Ano de produção: 1972; País: Franca, Itália; Duração: 129 min.

Blaise Pascal foi um físico, matemático, filósofo moralista e teólogo francês. Contribuiu decisivamente para a criação de dois novos ramos da matemática: a geometria projetiva e a teoria das probabilidades. Em Física, estudou a mecânica dos fluidos, e esclareceu os conceitos de pressão e vácuo ampliando o trabalho de Evagelista Torricelli. É ainda o autor da primeira máquina de calcular mecânica, a Pascaline, e de estudos sobre o método científico.
O filme mostra os conflitos entre ciência, filosofia e religião na vida de Blaise Pascal (1623-1662), desde os 17 anos, quando acompanha o pai transferido para Rouen, até a morte em Paris, com 39 anos. Quase todo baseado em diálogos, inclui longos debates sobre a existência do vácuo, experiências com pressão atmosférica e fluidos, a criação da primeira máquina de calcular mecânica, a posição jansenista de Pascal e a elaboração de algumas de suas obras. O filme explora também intensamente a relação familiar com o pai, o agente fiscal Etienne Pascal, e a irmã, Jaqueline, que após a morte do pai se recolhe a um convento.

Raízes do Brasil - Uma Cinebiografia de Sérgio Buarque de Holanda (Documentário)
Direção: Nelson Pereira dos Santos; Ano de produção: 2003; País: Brasil; Duração: Disco 1: 73min - Disco 2: 73min.

Sérgio Buarque de Holanda foi um dos mais importantes historiadores brasileiros e renomado intelectual. O documentário traz imagens inéditas da época e da vida do intelectual, da sua famosa família (os Buarque de Holanda - Chico era um dos seus filhos famosos, assim, claro, como Miúcha), reunindo um compêndio para lá de interessante da vida intelectual brasileira da primeira metade do século XX até os dias atuais. Sérgio Buarque vivia submerso no universo de seus livros, mas deixava a porta do escritório aberta para ouvir os ruídos da casa e as eventuais fofocas. Era extremamente dedicado ao trabalho e ao mesmo tempo adorava a boemia e um bate papo com os amigos. Erudito, devorava livros. Sua história é contada pela família, amigos e através de uma cronologia que ele próprio escreveu.


Sócrates
Direção: Roberto Rossellini; Ano de produção: 1971; País: Espanha; Duração: 120 min; Roteiro: Roberto Rossellini e Marcello Mariani.

O filme, originalmente produzido para a televisão, mostra o final da vida do filósofo grego Sócrates (470 - 333 a.C.), incluindo seu julgamento e sua condenação à morte. É composto quase que totalmente por diálogos, baseados em Diálogos de Platão como Eutífron, Hípias, Apologia, Críton e Fédon, além de uma breve encenação da comédia As Nuvens, de Aristófanes, que ridiculariza Sócrates. É sempre bom lembrar que Sócrates nada escreveu, pois acreditava que a filosofia devia ser praticada oralmente.

A interpretação de Jean Sylvère para Sócrates é comovente. É possível assistir Sócrates, acompanhado de seus discípulos, andando por Atenas e empregando seu método, a maiêutica, que levava seus interlocutores a caírem em contradição. Assim, podemos conhecer várias figuras da época.


Danton - O Processo da Revolução
Direção: Andrzej Wajda; Ano de produção: 1983; País: França, Polônia, Alemanha; Duração: 136min.

Após a Revolução Francesa, a França vive uma nova onda de terror. Danton, um dos líderes da revolução, enfrenta o governo na tentativa de mudar a situação. Confiando no apoio popular, ele entra em choque com Robespierre, seu antigo aliado, mas acaba sendo levado à julgamento.

A Revolução Francesa representa o conjunto de acontecimentos que, entre 5 de Maio de 1789 e 9 de Novembro de 1799, alteraram o quadro político e social da França. Ela começa com a convocação dos Estados Gerais e a Queda da Bastilha e se encerra com o golpe de estado do 18 Brumário de Napoleão Bonaparte. Em causa estavam o Antigo Regime (Ancien Régime) e a autoridade do clero e da nobreza. Foi influenciada pelos ideais do Iluminismo e da Independência Americana, em 1776. A Revolução Francesa foi um dos maiores acontecimentos da história da humanidade.


O Povo Brasileiro (Documentário)
Direção: Isa Grinspum Ferraz; Ano de produção: 2000; País: Brasil; Duração: 260min; Episódios: 10.

O antropólogo Darcy Ribeiro (1913-1997) foi um dos maiores intelectuais brasileiros do século XX. Esta produção realizada para a televisão mostra em 10 episódios (2 DVDs) a obra-prima do antropólogo, O Povo Brasileiro, em que ele tenta responder a questão "quem são os brasileiros ?", investigando a formação do nosso povo. A série conta com as participações especiais de Chico Buarque, Tom Zé, Antonio Cândido, Aziz Ab'Saber, Paulo Vanzolini, Gilberto Gil, Luiz Melodia, entre outros.

Com imagens captadas em todo o Brasil, amterial de arquivo raro e depoimentos, O Povo Brasileiro é indispensável para todos os interessados em conhecer a história do Brasil, desde os primeiros índios até os dias atuais.


Para Sempre Pestalozzi
Direção: Peter Von Gunten; Ano de produção: 1989; País: Alemanha, Suíça; Duração: 110min.

Biografia do educador suíço Johann Heinrich Pestalozzi (1746-1827), um dos pioneiros da pedagogia moderna. O DVD traz ainda uma palestra sobre a importância de Pestalozzi na educação do espírita, folósofo e educador francês Allan Kardec. O filme focaliza um período crítico no desenvolvimento das teorias educacionais de Pestalozzi, quando o educador dirigia um internato para crianças pobres em um vilarejo na parte francesa da Suíça.


Descartes
Direção: Roberto Rossellini; Ano de produção: 1974; País: Itália; Duração: 162 min.

René Descartes, o famoso filósofo, cientista e matemático francês, nasceu em 1596, na cidade de La Haye. Notabilizou-se sobretudo por seu trabalho revolucionário na filosofia e na ciência, mas também obteve reconhecimento matemático por sugerir a fusão da álgebra com a geometria, o que gerou a geometria analítica e o sistema de coordenadas, que hoje leva o seu nome. Por fim, ele foi uma das figuras-chave na Revolução Científica. Com quase 3 horas de duração e dividido em 2 episódios, o filme apresenta a biografia de Descartes, começando com sua educação no Colégio La Fléche. O filme apresenta o contexto da elaboração e publicação de suas principais obras. Aqui, Descartes faz a leitura de passagens do Discurso do Método.


Freud Além da Alma Direção: John Houston; Ano de produção: 1962; País: Estados Unidos; Duração:

Huston tinha em mente um projeto ambicioso, quando convidou ninguém menos que o filósofo francês Jean-Paul Sartre para escrever o roteiro. Sartre aceitou, demorou-se para entregar o texto e, quando o fez, este veio na forma de um calhamaço que acabou virando um livro de 769 páginas, que o diretor não conseguiu filmar. Dessa forma, o roteiro de Freud Além da Alma vem assinado por Charles Kaufman e Wolfgang Reinhardt.

Freud Além da Alma se concentra nos anos iniciais da trajetória do personagem, no desbravamento desse novo campo do conhecimento, aliás, bastante incômodo para o narcisismo contemporâneo. Não por acaso, a narrativa começa pela comparação freudiana de sua percepção da primazia do inconsciente com as teorias de Copérnico e Darwin, que desmistificaram a ilusão da Terra como centro do sistema solar e a do homem como espécie à parte no reino animal.


Tempo de Resistência (Documentário)
Duração: André Ristum; Ano de produção: 2004; País: Brasil; Duração: 115min.

Não podemos nos considerar eruditos desprezando o conhecimento sobre a ditadura militar, posto que o episódio representa um período marcante da nossa história e uma ferida ainda aberta para muitas famílias de desaparecidos nos dias de hoje.

A partir do depoimento de mais de 30 pessoas diretamente envolvidas na resistência à ditadura, e impactantes imagens de arquivos, o documentário revela os fatos deste nebuloso momento brasileiro, que se estendeu por mais de 20 anos. Aqui, temos uma boa mostra sobre o que foi o período de repressão no país, o processo do golpe militar, desde o comício do Presidente João Goulart até o dia da Anistia. Além disso, o documentário aborda os reflexos da ditadura no interior do estado de São Paulo e no interior do Brasil.


Einstein - Muito Além da Relatividade / A Grande Idéia (Documentário)

Einstein - Muito Além da Relatividade, o volume 1, foi produzido pela NOVA/PBS a partir das anotações do próprio cientista. É uma ótima edição para fazer você compreender a criatividade científica que dominava o maior nome da física moderna. O documentário refaz a trajetória de um estudante não tão brilhante assim e um marido que não sabia lidar com a imprevisibilidade das relações humanas, até se tornar o mais famoso físico de todos os tempos. A produção criou animações para explicar a Teoria da Relatividade. Além disso, a obra traz reflexões de Einstein sobre a natureza da luz e da fusão do espaço-tempo num contínuo inseparável que alteraram para sempre a imagem que temos do Universo.

Einstein - A Grande Idéia, volume 2, mostra o jovem e obscuro funcionário de um escritório suíço de patentes quando ele concluiu que massa e energia são inseparáveis na Natureza. Essa idéia ainda viria a mudar completamente a forma como vemos o Universo. Voltamos a "tentar" entender a equação E=mc2 através de boas explicações criadas para leigos, com reconstrução histórica de todos os eventos que marcaram o momento em que o mundo conheceu a teoria mais famosa de todos os tempos.