Além da Eternidade
Encontrando Forrestier
A Entidade
O Caçador de Pipas
PARTE 1
PARTE 2
PARTE 3
PARTE 4
Em A Garota da Fábrica de Caixa de Fósforos, o diretor finlandês Aki Kaurismaki, o mesmo de O Homem Sem Passado, aborda a frieza e a indiferença nas relações humanas, numa Helsinque cinzenta e estacionada no tempo. Realçadas pela ausência de diálogos com mais de uma linha de texto, esses sentimentos desprovidos de humor e afeto e marcados pelo isolamento ganham um contorno dramático, através de personagens que, em países latinos, seriam diametralmente opostos.
outra, entre um noticiário de TV e outro, tentando em vão preencher o vazio irremediável. Íris é a única que trabalha e ganha o aparente único sustento da família.
anto o seu amor," ela vê sua tola esperança ser deixada no prato que mal tocou no restaurante e deixa pra trás seus planos de independência. Dias depois de entregar a carta àquele que havia lhe inseminado, Íris recebe uma linha de resposta - "livre-se do pirralho." Nada mais previsível do que fazer um filho com um torniquete. Mas o pior ainda estaria por acontecer. No hospital, depois do aborto, o pai lhe visita com uma tangerina e a decisão de expulsá-la de casa.
O filme Goodbye Solo, do diretor americano (apesar do nome) Ramin Bahrani, é, aparentemente, um fime linear, sem grandes cenas nem grandes emoções. Mas a sutileza com que, aos poucos, a estória se desenvolve, descortina um ambiente onde não apenas o drama existencialista se faz presente, como revela questões culturais e sociais ainda polêmicas no sul dos Estados Unidos.
As personagens centrais se revezam em atuações primorosas. Por um lado, vemos Solo, o taxista senegalês, negro, que deseja apenas um futuro melhor para sua família em seu novo país, apesar de sua luta ser explícita para garanti-lo. Por outro, o americano William que deseja se matar só tem as lembranças do passado como fonte de sentimento. Uma relação de amizade improvável no sul dos Estados Unidos, ela vai aos poucos ganhando cotornos de possibilidade com a devoção com que Solo encara essa amizade e o desafio para torná-la realidade. Incansável, ele é o retrato da compreensão, da superação e do entendimento do outro, um requisito básico, apesar de difícil, para se fazer assistência.
O filme cria um ambiente para instigar a imaginação do espectador, tal é a riqueza de elementos exploráveis na estória. O drama existencial desenvolve seu discurso social e político com base na incomunicabilidade entre os dois personagens, que, de certa forma, estão no mesmo patamar de exclusão social, esquecidos na periferia da riqueza e do desenvolvimento. Porém, paradoxalmente, eles encontram algum entendimento. Na medida em que vemos a imaculada aceitação do taxista negro aos arroubos de grossura e intolerância do velho sulista, entendemos que essa compreensão é a resposta essencial para se chegar a algo além da discórdia e o distanciamento. Consequentemente, ambos se transformam, embora não o suficiente para que eles encontrem alguma redenção.
Na cena final (foto da capa), o taxista joga no despenhadeiro um graveto. Um ato simbólico inteligente e significativo, construído a partir dos sentimentos tortuosos que temos que enfrentar quando decidimos investir na assistência ao outro, somente realizável se movida por elementos realmente sublimes da natureza humana: compreensão, respeito e desejo de reconciliação. Algo que, quando ou se alcançado, nos redime, muito embora essa redenção não dependa da resposta que teremos do outro, pois, nem sempre, nossa intenção, por mais sublime e imparcial possível, será vista por quem não tem olhos, pelo menos naquele momento.
É possível criar um livro apenas com o movimento dos olhos. O exemplo de Jean Dominique deve deixar um grande desconforto naqueles que desperdiçam talentos, gozando de todas as suas funções vitais.
Apesar do título amendrontador em português (no original o filme se chama apenas Dorothy, o que é bem mais racional e coerente com a estória), Os Demônios de Dorothy Mills traz entre muitas surpresas o trabalho arrebatador da atriz Jenn Murray no papel-título.
O problema das religiões é vender suas verdades como definitivas e enquadrar a mente humana numa única moldura da realidade, essencialmente física, apesar de vagar no domínio espiritual. O alijamento da verdade relativa de ponta, utilizada pela pesquisa científica, endurece a intolerância e promove o preconceito. Tais consequências servem muitas vezes, entretanto, como dissimuladores da incoerência religiosa. Na medida em que não há o exercício da crítica e do livre arbítrio sobre o que acreditar nem a direção a tomar, muitos sucubem diante dos próprios males não revelados. A Igreja não dá conta do que você sente, mas do que deve ser sentido segundo seus preceitos. Numa pequena comunidade religiosa controlada (ou amendrontada) por um padre, essa mordaça tem efeitos ainda mais drásticos e termina por afundar-se em seus próprios segredos e mistérios.
É esse o cenário da estória de Dorothy, uma adolescente vítima de seu parapsiquismo, que apesar de tido como assustador, para muitos é tanto um atributo de sobrevivência espiritual quanto ameaçador. Quando os efeitos do parapsiquismo destrambelhado da menina atinge os membros da comunidade, com a tentativa de assassinato de uma criança, uma psiquiatra é chamada para examinar Dorothy e facilmente ela é diagnosticada como vítima de distúrbio de múltipla personalidade. Porém, quando a menina fala com a voz do filho recém-falecido da médica, o que inicialmente parecia loucura passa a ser o que os moradores acreditam, isto é, que Dorothy é um canal com o mundo dos mortos.Alejandro Amenábar é um cineasta espanhol, porém, nascido no Chile. Radicado em Madrid desde 1973, onde foi viver com apenas 1 ano de idade, estreou sua filmografia com La Cabeza (1991), filme premiado na Associação Independete de Cienastas Amadores.
Seu segundo filme, Abre los ojos (1997), reúne junto da crítica e do público um consenso muito positivo. Depois realiza Os Outros (2001) protagonizado por Nicole Kidman e Mar Adentro (2004), com Javier Bardem, filme premiado com o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro. Sua trajetória no cinema é impressionante. Não apenas pela qualidade dos seus filmes, mas por sua qualificação técnica numa idade em que a imaturidade podia muito bem lhe pregar algumas peças. É, sem dúvida, um dos melhores realizadores de cinema da atualidade.
m Física, estudou a mecânica dos fluidos, e esclareceu os conceitos de pressão e vácuo ampliando o trabalho de Evagelista Torricelli. É ainda o autor da primeira máquina de calcular mecânica, a Pascaline, e de estudos sobre o método científico.
: Roberto Rossellini e Marcello Mariani.
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10.

ês Jean-Paul Sartre para escrever o roteiro. Sartre aceitou, demorou-se para entregar o texto e, quando o fez, este veio na forma de um calhamaço que acabou virando um livro de 769 páginas, que o diretor não conseguiu filmar. Dessa forma, o roteiro de Freud Além da Alma vem assinado por Charles Kaufman e Wolfgang Reinhardt.
ções do próprio cientista. É uma ótima edição para fazer você compreender a criatividade científica que dominava o maior nome da física moderna. O documentário refaz a trajetória de um estudante não tão brilhante assim e um marido que não sabia lidar com a imprevisibilidade das relações humanas, até se tornar o mais famoso físico de todos os tempos. A produção criou animações para explicar a Teoria da Relatividade. Além disso, a obra traz reflexões de Einstein sobre a natureza da luz e da fusão do espaço-tempo num contínuo inseparável que alteraram para sempre a imagem que temos do Universo.